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Agricultura urbana pra todo lado

Atualizado: 6 de fev. de 2023

Quais são os tipos de agricultura urbana e onde podemos encontrar produção de alimentos nas cidades


Horta da cobertura do Shopping Eldorado. (Autora, 2018)


A produção de alimentos no mundo tem imposto um alto custo ao meio ambiente e à saúde das pessoas. A questão que está no ar é: como iremos nos alimentar em um futuro próximo sem exaurir nossos recursos e de forma a nos nutrir adequadamente? As respostas passam por entender a necessidade de mudanças nos sistemas alimentares, que envolvem atividades desde a produção até o consumo. Aproximar a produção do consumo e aumentar a diversidade da produção são estratégias que compõem a solução. No meio urbano, onde vive a maior parte da população brasileira, a valorização da agricultura urbana é um caminho para a transformação desses sistemas.


Mas afinal, o que diferencia essa agricultura de outras? O que caracteriza a agricultura urbana? Existe apenas um formato? Vamos falar um pouco sobre isso.


Ao iniciar a reflexão, já é possível constatar que os desafios de plantar alimentos dentro das cidades, em áreas mais centrais, são distintos dos desafios enfrentados na produção em suas periferias. Mas tudo faz parte do que estamos chamando de agricultura urbana?


Toda a agricultura que possui forte relação com a área urbana, utilizando-se de seus recursos humanos e materiais e também oferecendo recursos para essa mesma área pode ser considerada agricultura urbana. Mougeot (2000)

Indo além, onde então podemos plantar alimentos? Tem espaço para isso? Deve sair caro arrumar um terreno pra produzir hortaliças… Mas também existem as soluções que vimos por aí, salas fechadas com iluminação e tecnologia, plantar em paredes, canos de pvc, caixotes, isopores ou qualquer solução “faça você mesmo” para otimizar os espaços…


E quem são esses agricultores urbanos? Será que são pessoas que já tiveram contato com o campo? Aqueles que têm família na roça. Ou são pessoas que nunca plantaram uma salsinha antes de se envolverem no assunto?


Quando pensamos em agricultura urbana, portanto, lembramos destes fatores únicos como o limitado acesso à terra, meios alternativos de cultivo e envolvimento de agricultores não tradicionais, por exemplo (PFEIFFER; SILVA; COLQUHOUN, 2014).


Apesar de identificarmos essas características comuns, a agricultura urbana não é homogênea. Podemos encontrar diversas formas de organização de seus participantes, diversas formas de trabalho, encontrar comercialização ou não dos produtos, escalas de produção diferentes e, claro, funções primárias diferentes. Podemos encontrar, inclusive, tipos mistos, que combinam formatos e objetivos variados.


Os professores Eduardo Caldas e Martin Jayo (EACH - USP), em 2019, disseram que as experiências em São Paulo também podem ser separadas em dois tipos: “Pavê” e “Pacumê”. Parece piada, mas é pesquisa, e agora vocês podem inovar na mesa de família ao levar uma saladinha cultivada localmente.


A agricultura urbana “pacumê”, também chamada de agricultura urbana “de escala” é voltada à produção de alimentos, em maiores volumes, e está situada, principalmente, nas regiões periféricas. Já a agricultura urbana “pavê” ou “de visibilidade”, apesar de também produzir algum volume de alimento, dedica-se mais à produção de discursos, consciência ambiental e visibilidade para a agenda política da agricultura urbana. Esta modalidade está mais presente em regiões centrais da cidade.


Circuito Ciclistas - Hortas de Visibilidade


Para ilustrar tanto aquelas mais “pavê” ou as mais “pacumê”, utilizaremos aqui o levantamento de Biazoti (2020) e daremos alguns exemplos. Podemos encontrar os seguintes tipos de agricultura urbana: de guerrilha, hortas comunitárias, hortas institucionais, quintais produtivos, fazendas urbanas, loteamentos, agricultura familiar e empreendimentos agrícolas.


Jardinagem de guerrilha

Função primária: Ativismo, ocupação de espaços públicos, criação de paisagens comestíveis

Organização: Ocasional, em coletivos

Forma de manejo e trabalho: Individual, coletiva ou comunitária

Escala de Produção: Canteiros, vasos e pequenas áreas

Comercialização: Inexistente


Exemplos: Horta das Corujas - Vila Madalena (fotos 2 e 3), Jardim da Gratidão - Aclimação (foto 1)




Hortas comunitárias

Função primária: Produção para autoconsumo, ativismo, ocupação de espaços públicos, segurança alimentar e nutricional, comunidade, venda ocasional.

Organização: Coletivizada, Associações ou Cooperativas

Forma de manejo e trabalho: Coletiva ou comunitária

Escala de Produção: Canteiros, lotes, estufas

Comercialização: Ocasional


Exemplos: Horta da Saúde - Saúde (Foto 1), Mulheres do GAU - São Miguel Paulista (Foto 2), Horta Popular Criando Esperança - Vila Nova Esperança (Foto 3), Horta das Flores - Mooca.




Hortas Institucionais

Função primária: Produção para autoconsumo, doação, educação, reabilitação, capacitação e treino, venda ocasional

Organização: Institucional ou Governamental

Forma de manejo e trabalho: Individual, coletiva ou comunitária, a partir de uma orientação institucional

Escala de Produção: Canteiros, lotes, vasos, estufas e pequenas áreas

Comercialização: Rara


Exemplos: Horta da FMUSP - Clínicas (Foto 1 ), Horta da UNIFESP, Horta Cores e Sabores - Capão Redondo (Foto 2) , Horta do Shopping Eldorado




Quintais produtivos

Função primária: Produção para autoconsumo, recreação, paisagem, doação

Organização: Inexistente

Forma de manejo e trabalho: Individual ou doméstica

Escala de Produção: Canteiros, vasos e pequenas áreas

Comercialização: Mínima



Fazenda ou horta urbana

Função primária: Produção para autoconsumo, produção para venda, segurança alimentar e nutricional, abastecimento

Organização: Inexistente, Associações ou Cooperativas, Governamental

Forma de manejo e trabalho: Individual ou coletiva

Escala de Produção: Canteiros, áreas de médias a grandes

Comercialização: Frequente



Loteamentos

Função primária: Produção para autoconsumo, doação, venda de excedente, segurança alimentar e nutricional

Organização: Associação, Cooperativa ou Governamental

Forma de manejo e trabalho: Individual de cada lote, comunitária ou coletiva

Escala de Produção: Canteiros, lotes e parques

Comercialização: Ocasional


Agricultura familiar

Função primária: Produção para autoconsumo, produção para venda, abastecimento

Organização: Inexistente, Associações ou Cooperativas

Forma de manejo e trabalho: Individual ou familiar

Escala de Produção: Parcelas grandes de produção, estufas, áreas arrendadas

Comercialização: Frequente








Empreendimento agrícola

Função primária: Produção para venda, abastecimento

Organização: Associações, Cooperativas ou Instituições

Forma de manejo e trabalho: Relações capitalistas de produção

Escala de Produção: Parcelas grandes de produção, estufas, áreas arrendadas

Comercialização: Sempre




Legal é descobrir essas diferentes formas de plantar alimentos dentro da sua cidade. Onde você identifica essas práticas? Quem são as pessoas envolvidas? Como você pode participar ou apoiar? Este é o momento em que cada um precisa e pode encontrar seu lugar nessa mudança. Referências


BIAZOTI, A. R. Engajamento político na agricultura urbana: a potência de agir nas hortas comunitárias de São Paulo. 2020. Dissertação (Mestrado em Ciências). Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2020


CALDAS, E. L.; JAYO, M. Agriculturas urbanas em São Paulo: histórico e tipologia. Confins: revue franco-bresilienne de geographie/revista franco-brasileira de geografia, Marseille, v. 39, p. 01-11, 2019.


CALDAS, Luíza Costa. O papel do capital social e das redes sociais na agricultura urbana em São Paulo. 2021. Dissertação (Mestrado em Sustentabilidade) - Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021. doi:10.11606/D.100.2021.tde-14022022-123539. Acesso em: 2023-02-04.


MOUGEOT, L. Agricultura Urbana: Conceito e Definição. Revista de Agricultura Urbana, n. 1., p. 8-14, 2000.


PFEIFFER, A; SILVA, E.; COLQUHOUN, J. Innovation in urban agricultural practices: Responding to diverse production environments. Renewable Agriculture and Food Systems, v. 30, n.1, p. 79–91, 2014.

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